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Juliana Freitas Queiroz, psicóloga CRP 13/14031, João Pessoa

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Culpa materna no pós-parto: por que “não dar conta” não é falha sua

A culpa no puerpério quase nunca vem de algo que você fez. Vem de uma conta que nunca fechou pra ninguém.

Juliana Freitas QueirozPsicóloga · CRP 13/14031 · publicado em

A culpa no pós-parto raramente responde a um erro real. Ela aparece porque a conta que foi apresentada a você não fecha: cuidar de um recém-nascido em tempo integral, se recuperar de um parto, manter a casa, às vezes trabalhar, e ainda parecer realizada o tempo todo.

Por que a culpa aparece tanto no pós-parto?

Porque três coisas acontecem ao mesmo tempo. Primeira, uma mudança física e hormonal intensa, num corpo que está se recuperando. Segunda, privação de sono continuada, que reduz a tolerância de qualquer pessoa a qualquer coisa. Terceira, uma expectativa social que descreve o puerpério como o período mais feliz da vida, e transforma cansaço em suspeita de que você está sendo ingrata.

Some a isso a comparação. Você está às três da manhã com um bebê no colo, rolando uma tela cheia de mães sorridentes e casas arrumadas, e a conclusão automática é: “o problema sou eu”. Não é.

Frases que costumam machucar quem as recebe: “aproveite, passa rápido”, “é só cansaço”, “na minha época era pior”. Nenhuma delas ajuda, todas encerram a conversa.

Rede de apoio: o que é e o que fazer quando não tem

Rede de apoio é gente que assume tarefa, não gente que visita e opina. Um parente que segura o bebê por duas horas para você dormir é rede. Uma visita que fica três horas na sala e ainda pede café não é.

Quando não existe rede disponível, o caminho é reduzir a lista, não aumentar o esforço:

  • Escolha o que não vai ser feito hoje. Roupa dobrada não é prioridade em nenhum mês do puerpério.
  • Peça tarefa específica. “Você pode trazer almoço na quinta?” funciona melhor que “me avisa se puder ajudar”.
  • Filtre visita. Quem chega para ajudar, ajuda. Quem chega para ser recebido pode esperar mais um mês.
  • Reserve um intervalo diário só seu, mesmo curto, mesmo que seja o banho.

Como falar com o parceiro sobre a sobrecarga

Trocando queixa por acordo concreto. Em vez de “você não ajuda em nada”, que gera defesa, vale combinar tarefa com dono e horário: quem levanta na madrugada em quais dias, quem cuida da mamadeira ou do banho, quem resolve as compras. Divisão vaga sempre recai sobre quem está mais perto do bebê.

Se a conversa trava sempre no mesmo ponto, isso também é assunto de terapia. Vale olhar para o padrão que se repete, e não só para o episódio de ontem, algo que descrevo em por que eu repito os mesmos padrões.

Terapia sem sair de casa

Você não precisa organizar uma saída com recém-nascido para começar a se cuidar. No atendimento em domicílio no pós-parto eu vou até você, no horário que a rotina permitir, inclusive sábado. O bebê fica junto e amamentar durante a sessão não atrapalha.

Se você está tentando entender se o que sente é passageiro, leia também baby blues ou depressão pós-parto.

Perguntas frequentes

É normal não sentir amor imediato pelo bebê?

É mais comum do que se fala. O vínculo costuma se construir com o tempo e com a convivência, e sentir isso não faz de você uma mãe pior.

Como pedir ajuda sem parecer fraca?

Pedindo tarefa específica, com dia e hora. Pedido concreto costuma ser atendido e não abre espaço para julgamento.

Tem atendimento no sábado?

Tem. Atendo de segunda a sábado, das 8h às 20h.

Sua dúvida não está aqui? Me chama, eu respondo.

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