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Juliana Freitas Queiroz, psicóloga CRP 13/14031, João Pessoa

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Baby blues ou depressão pós-parto? Como diferenciar e quando procurar ajuda

A diferença está no tempo e no funcionamento, não na intensidade do choro. E existe um ponto em que a ajuda não pode esperar.

Juliana Freitas QueirozPsicóloga · CRP 13/14031 · publicado em

A diferença principal é o tempo e o quanto atrapalha o dia. O baby blues aparece nos primeiros dias após o parto, dura até cerca de duas semanas e não impede a mãe de cuidar de si e do bebê. A depressão pós-parto se instala, passa desse período e vai tirando a capacidade de funcionar.

Qual a diferença entre baby blues e depressão pós-parto?

 Baby bluesDepressão pós-parto
Quando começaNos primeiros dias após o partoPode começar nas primeiras semanas ou meses
Quanto duraAté cerca de duas semanasPersiste além disso, sem melhora
Como se apresentaChoro fácil, oscilação de humor, irritação, sono ruimTristeza constante, culpa intensa, perda de prazer, desespero
FuncionamentoConsegue cuidar de si e do bebêCuidar de si e do bebê passa a ser um esforço grande demais
O que fazerRede de apoio, descanso possível, acompanhamento no pós-partoAvaliação profissional, sem esperar passar sozinho

Uma observação que costuma aliviar: nada disso é falta de amor pelo bebê. Sentimento ambivalente no puerpério é comum e não define o tipo de mãe que você é.

Quais sinais pedem ajuda imediata?

Se você tem pensamentos de se machucar ou de machucar o bebê, procure ajuda agora. Ligue 188 (CVV), 24 horas, ou vá à emergência mais próxima. Pensamento não é o mesmo que intenção, e contar para alguém é o primeiro passo para ele perder força.

Também não devem esperar: incapacidade de dormir mesmo quando o bebê dorme, sensação de estar desconectada do próprio corpo ou da realidade, e culpa tão intensa que impede pedir ajuda.

O pai também pode ter?

Pode. A depressão paterna no período pós-nascimento existe, é menos falada e costuma aparecer como irritação, afastamento de casa e excesso de trabalho, mais do que como choro. Vale prestar atenção, porque um parceiro adoecido reduz justamente a rede de apoio de que a mãe precisa.

Como é a terapia no puerpério em casa

É a sessão indo até você, num horário que respeita a rotina de mamada e de sono. O bebê pode ficar junto, e amamentar durante a sessão não atrapalha. São 50 minutos, semanais, com dia e hora fixos, combinados com quem estiver em casa para que ninguém interrompa.

Nas primeiras semanas depois do parto, sair de casa para uma consulta é uma operação. Foi por isso que estruturei o atendimento em domicílio no pós-parto. Se a culpa é a parte mais pesada pra você agora, escrevi sobre ela em culpa materna no pós-parto.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a depressão pós-parto?

Não há prazo fixo, e por isso o acompanhamento importa: ele acompanha a evolução em vez de esperar passar sozinho.

Posso fazer terapia amamentando?

Pode. A sessão se adapta à mamada, e o bebê pode ficar com você o tempo todo.

Quem procura por mim se eu não conseguir?

Um familiar ou o parceiro pode fazer o primeiro contato em seu nome. Eu oriento como abordar o assunto com você.

Sua dúvida não está aqui? Me chama, eu respondo.

Primeiro passo: uma mensagem

Não precisa escrever muito. “Oi, preciso conversar” já basta.