Pular para o conteúdo
Juliana Freitas Queiroz, psicóloga CRP 13/14031, João Pessoa

InícioBlog › Idosos e família

Como saber se meu pai precisa de psicólogo: 7 sinais que a família ignora

Sete mudanças que a família costuma atribuir à idade, e a diferença entre envelhecer e sofrer.

Juliana Freitas QueirozPsicóloga · CRP 13/14031 · publicado em

Os sinais mais comuns são mudanças de rotina, não crises. Um idoso que parou de sair, de comer com a família ou de atender o telefone está comunicando alguma coisa, e a família geralmente traduz isso como “é da idade”. Nem sempre é.

Quais são os sinais de que um idoso precisa de ajuda psicológica?

Sete mudanças pedem atenção, principalmente quando aparecem juntas e duram mais de duas semanas:

  1. Parou de sair de casa ou do quarto, mesmo sem impedimento físico novo.
  2. Perdeu o interesse pelo que gostava: missa, jogo, novela, horta, netos.
  3. Mudou o sono: dorme o dia inteiro, ou passa a noite acordado.
  4. Mudou o apetite e o peso, sem causa clínica identificada.
  5. Ficou irritado ou desconfiado de um jeito que não era dele.
  6. Fala em ser um peso, em “atrapalhar” ou em não fazer mais falta.
  7. Descuidou de si: banho, remédio, roupa, casa.

Se aparecer qualquer fala sobre não querer mais viver, trate como urgência. Ligue 188 (CVV), disponível 24 horas, e procure atendimento médico. Não espere a próxima consulta.

Tristeza é normal na velhice?

Tristeza é normal em qualquer idade, depressão não é normal em nenhuma. A confusão entre as duas é o que mais atrasa a busca por ajuda: como perdas se acumulam depois dos 70, a família passa a achar esperado que a pessoa esteja sempre para baixo.

Um jeito prático de separar as duas coisas é olhar para funcionamento e duração. Tristeza tem motivo, oscila e convive com momentos bons. Sofrimento que exige cuidado é constante, atravessa semanas e vai desligando a pessoa de tudo, inclusive do que ela sempre gostou.

Como convencer um idoso a fazer terapia?

Convencer costuma funcionar mal. O que funciona é reduzir a barreira e tirar o rótulo. Quatro coisas ajudam:

  • Não anuncie um tratamento, proponha uma conversa. “Uma pessoa vai vir aqui conversar com o senhor uma vez por semana” é mais aceitável que “você vai fazer terapia”.
  • Tire a logística do caminho. Boa parte da recusa é cansaço antecipado com a saída, não recusa da ajuda.
  • Não transforme em avaliação. Quem se sente examinado se fecha.
  • Aceite um começo pequeno. Uma conversa única, sem compromisso de continuar, já abre porta.

Quando o atendimento em casa faz diferença

Quando a saída é o obstáculo, e não a terapia. Nesses casos o atendimento em domicílio resolve o problema real: ninguém precisa ser convencido a entrar num carro, subir escada ou esperar em recepção. A sessão acontece na poltrona de sempre.

Se você quer entender antes como é a dinâmica dentro de casa, escrevi em detalhe em psicóloga em casa: como funciona.

Perguntas frequentes

Idoso com Alzheimer pode fazer terapia?

Pode, com adaptações de tempo e de formato, e sempre junto do acompanhamento médico. Na primeira conversa avaliamos o que é possível.

A família participa das sessões?

A sessão é individual. A família recebe orientações de como apoiar no dia a dia, sem que o conteúdo da sessão seja repassado.

Como começar se ele não quer?

Me chame primeiro. Conversamos sobre o caso e eu oriento como abordar o assunto sem transformar em briga.

Sua dúvida não está aqui? Me chama, eu respondo.

Me conte como ele está

A primeira conversa é com você, sem compromisso. A gente vê juntos o melhor caminho.